Cor dos Olhos
- infotest ADN
- 28 de dez. de 2025
- 5 min de leitura

Cor dos olhos e paternidade: é possível verificar uma ligação de filiação através da cor dos olhos?
Pergunta-se se a cor dos olhos pode ajudar a confirmar (ou a excluir) uma paternidade? É uma questão muito frequente, pois a íris faz parte das características físicas mais visíveis.
Mas na prática, a cor dos olhos não permite provar uma filiação de forma fiável. Por vezes pode dar uma intuição, mas continua demasiado imprecisa, porque a genética da íris é complexa e depende de numerosos genes.
Neste guia completo, explicamos:
o que determina a cor dos olhos (melanina, genes),
as cores mais frequentes no mundo,
como funciona a hereditariedade (dominância, recessividade),
porque a cor dos olhos tem limitações para verificar uma paternidade,
e porque o teste de ADN de paternidade continua a ser o único método fiável.
O que determina a cor dos olhos?
Uma característica hereditária (mas mais complexa do que se pensa)
A cor dos olhos é uma característica hereditária. Depende do ADN transmitido pelos pais, mas também de mecanismos biológicos que controlam a quantidade e a distribuição dos pigmentos.
O papel da melanina na cor da íris
A cor dos olhos está principalmente ligada à presença de um pigmento chamado melanina. Encontramos também a melanina na pele e no cabelo: desempenha um papel de proteção contra os raios UV.
Simplificando, quanto mais melanina a íris contém, mais escura é a cor:
concentração elevada: olhos castanho-escuros a pretos,
concentração média: olhos avelã a verdes,
concentração baixa: olhos azuis a cinzentos.
Cada íris possui também nuances e padrões únicos, porque a melanina não está distribuída de forma perfeitamente uniforme.
A cor dos olhos evolui após o nascimento
Muitos recém-nascidos têm os olhos azuis ou cinzento-claros ao nascer, porque a melanina ainda está pouco presente na íris.
A cor definitiva estabiliza-se geralmente por volta dos 3 anos (embora pequenas variações possam ainda aparecer depois, consoante os casos).
As diferentes cores de olhos (e a sua distribuição mundial)
Distinguem-se frequentemente cinco grandes categorias: castanho, azul, cinzento, verde e avelã.
Distribuição mundial (ordem de grandeza)
Olhos castanhos: cerca de 80% da população mundial.
Olhos azuis: cerca de 8 a 10%.
Olhos avelã: cerca de 5%.
Olhos verdes: cerca de 2% (uma das cores mais raras).
Olhos cinzentos: muito raro, frequentemente confundidos com azuis muito claros.
Esta distribuição é influenciada pela história das migrações humanas e pela evolução genética segundo as regiões.
Como funciona a hereditariedade da cor dos olhos?
ADN, cromossomas e transmissão
Uma criança herda aproximadamente:
50% dos seus genes do pai,
50% da mãe.
O património genético está organizado em 46 cromossomas (23 pares), transmitidos de forma aleatória.
Os genes que influenciam a produção de melanina
As células da íris recebem instruções genéticas que controlam a produção de melanina.
Regra geral:
quanto mais elevada for a produção de melanina,
mais o olho tende a ser escuro.
Os genes envolvidos na cor dos olhos (modelo simplificado)
Dois genes principais (e muitos outros na realidade)
Para compreender o mecanismo, utiliza-se por vezes um modelo simplificado baseado em dois genes principais:
Br (cromossoma 15), com o alelo castanho B e o alelo azul b,
Ve (cromossoma 19), com o alelo verde V e o alelo azul b.
Mesmo que este modelo ajude a compreender a lógica, não reflete toda a realidade: na prática, 15 a 20 genes (ou mais) podem influenciar a cor, e observam-se numerosas variações genéticas.
Dominância e recessividade (hierarquia clássica)
B (castanho) domina V (verde) e b (azul).
V (verde) domina b (azul).
b (azul) é recessivo.
Consequência: se um alelo B está presente, os olhos têm grandes probabilidades de ser castanhos, mesmo que outro gene codifique uma cor mais clara.
Combinações genéticas possíveis (modelo de 2 genes)
Neste modelo simplificado (genes aos pares + dominância), apresentam-se frequentemente 9 combinações principais.









Combinação genética | Cor dos olhos (resultado) |
BB + VV | Castanho |
BB + Vb | Castanho |
BB + bb | Castanho |
Bb + VV | Castanho |
Bb + Vb | Castanho |
Bb + bb | Castanho |
bb + VV | Verde |
bb + Vb | Verde |
bb + bb | Azul |
Homozigoto e heterozigoto
Homozigoto: dois alelos idênticos (ex. BB, bb).
Heterozigoto: dois alelos diferentes (ex. Bb).
É nomeadamente isto que explica porque dois pais com olhos castanhos podem ter um filho com olhos azuis: os dois pais podem ser portadores de um alelo azul recessivo.
É possível verificar uma paternidade com a cor dos olhos?
Não: a cor dos olhos não é uma prova de filiação
Claramente não é possível confirmar uma ligação de paternidade de forma fiável unicamente com a cor dos olhos de um pai presumido e a da criança.
Porque o método é insuficiente?
1) A genética da íris é muito mais complexa
Mesmo que o modelo de dois genes seja pedagógico, a realidade é mais rica. Identificaram-se hoje numerosas variações genéticas (e mais de 80 mutações citadas em certos trabalhos) envolvidas na cor dos olhos.
2) A cor pode evoluir
A expressão de certos genes e a produção de melanina podem variar ao longo da vida, o que pode modificar ligeiramente a tonalidade percecionada.
3) Casos particulares: heterocromia
Algumas pessoas apresentam uma heterocromia (olhos de cores diferentes, ou várias cores na mesma íris), o que torna a observação ainda menos interpretável.
4) Fatores não genéticos
Para além da hereditariedade, certas situações podem influenciar a cor da íris:
inflamações,
traumatismos,
tumores,
afeções neurológicas,
efeitos secundários de certos medicamentos.
Um método de exclusão muito limitado
Observar a cor dos olhos na família (pais, avós, tios, tias, irmãos e irmãs) pode dar uma intuição sobre a diversidade genética (heterozigoto vs homozigoto).
Mas continua a ser indicativo: não é uma prova, e não deve ser utilizado para concluir.
É possível prever a cor dos olhos de um bebé?
Uma característica poligénica
A cor dos olhos é poligénica: vários genes agem em conjunto.
É possível herdar um gene recessivo não visível nos pais, que se pode expressar na criança.
Tabelas de previsão: úteis, mas aproximativas
Encontram-se por vezes tabelas de probabilidade (como para outros carateres), mas continuam a ser estimativas.
Retém-se frequentemente:
dois pais com olhos azuis terão muito provavelmente um filho com olhos azuis,
dois pais com olhos castanhos podem ter um filho com olhos azuis se ambos forem portadores,
o castanho domina geralmente sobre as cores claras.
Mas estas tabelas não são o meio mais preciso cientificamente.
É possível escolher a cor dos olhos de um bebé antes do nascimento?
Seleção genética e PMA (diagnóstico pré-implantatório)
Sim, é tecnicamente possível utilizar uma PMA com diagnóstico pré-implantatório para selecionar embriões que apresentem certas combinações genéticas, o que pode aumentar a probabilidade de uma cor de olhos determinada.
Etapas geralmente evocadas
Verificar a compatibilidade genética dos pais (por exemplo através de uma análise de sangue).
Proceder a uma fecundação in vitro.
Analisar os embriões.
Selecionar e implantar.
Questões éticas e legais
Esta prática é muito regulamentada e levanta debates importantes, nomeadamente quando a seleção incide sobre características não médicas.
Teste de ADN de paternidade: o único método fiável
A cor dos olhos (como os grupos sanguíneos) apenas permite uma abordagem aproximativa.
O teste de ADN de paternidade continua a ser o único método fiável para estabelecer uma filiação.
Fiabilidade
Resultado positivo: fiabilidade superior a 99,99%.
Resultado negativo: fiabilidade de 100%.
Porque o teste de ADN é superior?
Comparação de 15 a 21 marcadores genéticos (segundo os laboratórios).
Resposta clara: paternidade compatível ou excluída.
Possibilidade de resultados reconhecidos juridicamente se o laboratório for acreditado e o procedimento conforme.
Quando fazer um teste de ADN?
dúvida persistente sobre a paternidade,
necessidade de uma prova administrativa ou judicial,
situações familiares complexas,
observação física não conclusiva.
