Teste de ADN e alimentação
- 22 de jan.
- 5 min de leitura

Teste de ADN e alimentação: como a nutrigenética pode ajudá-lo a comer melhor (e a perder peso de forma mais eficaz)
Quando se pretende melhorar a alimentação ou perder peso, percebe-se rapidamente que um método “universal” não funciona para todos. Duas pessoas podem seguir a mesma dieta e a mesma rotina desportiva e obter resultados muito diferentes.
A nutrigenética (também por vezes designada “teste de ADN nutricional”) propõe uma abordagem mais personalizada: analisar determinados marcadores genéticos para compreender melhor como o seu organismo reage aos nutrientes (hidratos de carbono, lípidos, proteínas, vitaminas, minerais) e adaptar a sua estratégia alimentar com um profissional.
Neste artigo, explicamos:
o que é a nutrigenética,
como funciona um teste de ADN alimentar,
o que os resultados podem (e não podem) indicar,
e como utilizar estas informações para construir um regime mais coerente e mais sustentável.
Por que fazer um teste de ADN para ajudar na sua dieta?
Um teste de ADN “nutrição” pode ser útil se desejar:
compreender melhor as suas tendências metabólicas,
identificar possíveis sensibilidades a determinados nutrientes,
detetar predisposições associadas a certos biomarcadores,
evitar dietas “ao acaso” que geram frustração e efeito ioiô.
A ideia não é substituir o bom senso nutricional, mas acrescentar informação para personalizar a sua abordagem.
Compreender as bases da nutrigenética
A nutrigenética estuda a relação entre o nosso património genético e a forma como o nosso corpo reage aos alimentos.
Procura identificar marcadores que podem influenciar:
o metabolismo dos macronutrientes (hidratos de carbono, gorduras, proteínas),
a assimilação de determinados micronutrientes (vitaminas, minerais),
certas tendências fisiológicas (por exemplo, lípidos sanguíneos),
e, de forma mais ampla, comportamentos que podem impactar a alimentação (como o apetite ou a sensibilidade ao stress).
Ligação entre ADN e alimentação
Os nossos genes influenciam muitos aspetos da saúde, incluindo o peso. Algumas pessoas ganham peso com mais facilidade, outras menos, mesmo com uma alimentação comparável.
É precisamente esta ligação ADN ↔ alimentação que torna um teste nutrigenético interessante: ajuda a escolher melhor uma estratégia (em vez de acumular dietas incompatíveis com o seu perfil).
Teste de ADN alimentar: o que é?
Na sua página de origem, o teste é descrito como uma análise baseada em 700 000 marcadores de ADN.
Tem como objetivo fornecer informações sobre predisposições que podem estar relacionadas com:
proteínas,
hidratos de carbono,
gorduras,
vitaminas,
minerais.
O objetivo é obter um balanço utilizável para personalizar a alimentação, idealmente com a ajuda de um nutricionista.
Como funciona um teste de ADN alimentar?
O princípio é geralmente simples.
Encomenda e colheita
Após a encomenda, recebe um kit e realiza uma colheita (frequentemente salivar), enviando depois a amostra para o laboratório.
Análise genética
O laboratório segue então várias etapas:
Extração de ADN a partir da amostra.
Sequenciação / genotipagem: transformação da informação biológica em dados exploráveis.
Aplicação de algoritmos: os dados brutos são interpretados para produzir um balanço personalizado.
Personalização de acordo com o perfil: o laboratório pode ter em conta certos elementos (ex. sexo, por vezes ascendência) para interpretar os dados.
Relatório final
Recebe um relatório detalhado com resultados e recomendações (a interpretar com um profissional).
Os 3 tipos de análises genéticas referidas (GWAS, multivariantes, monovariante)
A sua página apresenta três abordagens que podem ser utilizadas nos balanços genéticos.
GWAS (Genome Wide Association Study)
Um GWAS compara estatisticamente marcadores de ADN entre:
pessoas com uma determinada característica (ou doença),
e pessoas que não a apresentam,
de forma a identificar associações.
Análise multivariantes
Analisa vários variantes (mutações) provenientes de um ou mais genes, quando estes variantes têm uma ligação mais direta com a predisposição estudada.
Análise monovariante
Concentra-se num único variante de um único gene, quando esse variante está fortemente ligado a uma predisposição.
Importante: o conhecimento científico evolui. Novos variantes são identificados regularmente, e a interpretação dos resultados progride ao longo do tempo.
A influência da genética na perda de peso
É frequente observar que, para o mesmo esforço (dieta + exercício), os resultados variam muito de pessoa para pessoa.
A nutrigenética interessa-se pela forma como o seu ADN pode influenciar:
a resposta a diferentes tipos de dietas,
a eficácia de determinadas estratégias alimentares,
ou tendências metabólicas associadas à gestão do peso.
Vitaminas e minerais: compreender as suas predisposições
Mesmo com uma alimentação equilibrada, algumas pessoas podem apresentar níveis demasiado baixos ou demasiado elevados de certos micronutrientes.
A sua página explica três processos biológicos distintos:
Absorção: capacidade de extrair micronutrientes dos alimentos.
Armazenamento: capacidade de acumular certos micronutrientes em órgãos.
Circulação: quantidade de vitaminas/minerais transportados no sangue.
Conhecer as suas predisposições pode ajudá-lo a estar mais atento e, se necessário, a confirmar os seus níveis através de análises clássicas (com um profissional de saúde).
Biomarcadores: colesterol, triglicéridos, ansiedade, adição
Alguns parâmetros fisiológicos (por exemplo, colesterol, triglicéridos) podem ser influenciados pelo ADN.
De acordo com a sua página, o teste pode indicar uma predisposição e as possíveis consequências de níveis inadequados, para que possa tomar medidas adequadas sob supervisão de um profissional de saúde (médico ou nutricionista).
A sua página refere também características como a ansiedade ou a adição, que podem impactar a saúde e os hábitos alimentares.
Resultados do teste de ADN alimentar: prazos e utilização
Os resultados são indicados como disponíveis 2 a 3 semanas após a receção das amostras no laboratório.
Depois de receber os resultados, pode aprender:
se tem uma necessidade relativa mais elevada de proteínas,
se metaboliza melhor certos hidratos de carbono,
se tem necessidades específicas em vitaminas/minerais.
Adaptar a sua dieta de acordo com os seus genes (e maximizar a sua saúde)
O objetivo é identificar melhor o que funciona para o seu corpo, de modo a reduzir a frustração e melhorar a regularidade.
Mas é essencial ter em conta que:
os genes são apenas um elemento entre outros,
o estilo de vida, o ambiente, a alimentação atual e o historial médico também contam.
Deve mudar a sua alimentação sozinho após um teste de ADN?
A sua página insiste num ponto importante: é preferível não fazer alterações “radicais” sozinho.
Os resultados genéticos devem ser interpretados com profissionais, que terão em conta:
o seu estado de saúde,
os seus antecedentes,
os seus objetivos,
e a sua alimentação atual.
Teste nutrigenético vs teste de intolerância alimentar: não é a mesma coisa
Um teste de ADN “nutrição” analisa o seu ADN e marcadores genéticos.
Um teste de intolerância alimentar avalia reações (frequentemente imunitárias) a determinados alimentos e não se baseia numa análise genética.
Assim, um teste genético pode fornecer uma indicação sobre o seu perfil, mas não substitui um diagnóstico ou um acompanhamento médico.
Exemplos de dietas (e por que a resposta varia entre pessoas)
A sua página cita vários tipos de dietas e as respetivas lógicas.
A dieta mediterrânica
Favorece:
legumes,
fruta,
peixe,
produtos lácteos,
azeite,
limitando ao mesmo tempo carne e ovos.
É frequentemente considerada mais fácil de manter a longo prazo e associada a um risco reduzido de obesidade. Certas variações genéticas estariam associadas a uma melhor resposta em algumas pessoas.
Uma dieta pobre em hidratos de carbono
Reduz os hidratos de carbono (simples e complexos). A sua página recorda:
hidratos de carbono simples: energia imediata, presentes nomeadamente nos açúcares e em algumas frutas,
hidratos de carbono complexos: energia mais estável, presentes em legumes e cereais.
Alguns estudos sugerem que a genética pode influenciar a facilidade de perder peso. A sua página menciona nomeadamente variações do gene FTO que podem estar associadas a uma predisposição.
Uma dieta pobre em gorduras
Consiste em reduzir a proporção de gorduras (frequentemente para menos de 20 % da ingestão segundo alguns métodos), lembrando que a OMS considera aceitável até 30 %.
A sua página distingue:
gorduras saturadas (frequentemente sólidas à temperatura ambiente),
gorduras não saturadas (frequentemente líquidas).
Refere também variações genéticas (ex. variante IRS1) associadas a uma melhor resposta a este tipo de dieta.
A dieta proteica
Aumenta a ingestão de proteínas (carne, ovos, etc.). A sua página indica:
efeito na saciedade (hormonas do apetite, incluindo a grelina),
possível eficácia na perda de peso e na massa muscular,
mas também riscos (efeito rebound, cetose, problemas de saúde).
Mais uma vez, a eficácia varia de acordo com a genética, com ligações referidas ao FTO.
