Análise genética
- 29 de dez. de 2025
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Análise genética do ADN: compreender o teste de ADN, polimorfismos e fiabilidade dos resultados
O teste de ADN é uma técnica de análise genética que permite identificar uma pessoa (ou comparar várias pessoas) a partir de uma pequena quantidade de amostra biológica.
O princípio é simples:
os humanos partilham uma parte muito grande do seu ADN,
mas cada indivíduo possui também uma parte do seu ADN que é única, formando uma impressão digital genética.
Para compreender como um laboratório estabelece este perfil genético, devemos voltar aos fundamentos: o que é o ADN, como está organizado, e que regiões são utilizadas para comparar dois perfis.

O que é o ADN? (definição simples)
O ADN é uma longa molécula que contém as instruções necessárias para o funcionamento do organismo.
Nas nossas células, o ADN está enrolado e condensado no núcleo sob a forma de "novelos de lã" chamados cromossomas.
Cada pessoa tem 46 cromossomas por célula:
23 herdados da mãe biológica,
23 herdados do pai.
O ADN gere uma grande parte das nossas funções biológicas. É o portador da informação genética, e serve de plano para a fabricação de muitas moléculas essenciais.
Composição do ADN: nucleótidos, aminoácidos e proteínas
Nucleótidos (A, C, G, T)
Ao nível de base, o ADN é composto por nucleótidos. Estes são componentes orgânicos (formados a partir de elementos químicos) que se montam em sequências.
Existem 4 nucleótidos, representados por:
A (Adenina)
C (Citosina)
G (Guanina)
T (Timina)

Do ADN às proteínas
No organismo, a informação codificada pelo ADN é utilizada particularmente para produzir proteínas.
Em termos simplificados:
sequências de nucleótidos permitem formar estruturas mais complexas,
estas estruturas levam à formação de aminoácidos,
depois os aminoácidos montam-se para formar proteínas.
As proteínas têm numerosas funções: participam na criação de moléculas, na gestão de funções vitais e na transmissão de informação. Consoante a sua função, podem ter diferentes nomes (enzimas, miosina, histonas, etc.).
Genes: regiões codificantes, regiões não-codificantes, e o conceito de locus
ADN em dupla hélice e regras de emparelhamento
O ADN está organizado como uma dupla hélice: duas longas cadeias paralelas e complementares de nucleótidos, ligadas por ligações moleculares.
As bases emparelham-se sempre rigorosamente:
G está sempre oposto a C (e vice-versa),
A está sempre oposto a T (e vice-versa).
Esta organização torna a duplicação do ADN mais fácil e mais fiável.
O que é um gene?
Um gene é um segmento de ADN. Consoante a sua expressão, contribui para a função da célula (célula cardíaca, célula hepática, célula cerebral, etc.).
Geralmente distinguimos:
regiões codificantes, utilizadas para produzir novas proteínas,
regiões não-codificantes, que desempenham principalmente um papel regulador.
Considera-se que as regiões não-codificantes representam aproximadamente 98% do nosso ADN.
Locus: localizar uma região precisa do ADN
Os genes e certas sequências estão posicionados em locais precisos no ADN. Esta posição é estável em todos os seres humanos, o que facilita a localização.
Quando se localiza uma região precisa, fala-se de um locus.
Numa região codificante, o locus pode ser identificado pela proteína associada.
Numa região não-codificante, o locus é frequentemente nomeado segundo um código padrão.
Exemplo: D18S52
18: cromossoma 18
S: sequência única (no sentido de marcador)
52: número do locus
Polimorfismos: porque cada ADN é diferente
Mesmo que todos pertençamos à mesma espécie, a nossa diversidade provém de pequenas variações no ADN.
Estas variações chamam-se polimorfismos. Quando se comparam dois indivíduos selecionados aleatoriamente, encontra-se aproximadamente 1 variação por 1.200 nucleótidos.
Dois tipos de polimorfismos (segundo a região)
Existem dois casos principais:
variação em região codificante: a variação pode afetar a proteína.
variação em região não-codificante: a variação é frequentemente observável pelo número de repetições de uma sequência. Fala-se então de polimorfismo de comprimento.
Polimorfismo de comprimento e o conceito de alelo
O polimorfismo de comprimento corresponde a uma sequência repetida várias vezes.
Exemplo (sequência repetitiva): AAGTA
11 repetições numa pessoa,
14 repetições noutra,
15 repetições numa terceira.
O termo utilizado para designar uma variante é alelo.
Durante uma análise, uma pessoa tem geralmente dois alelos para uma característica genética:
um alelo do cromossoma paterno,
um alelo do cromossoma materno.
Sequências repetitivas: VNTR e STR (os marcadores mais utilizados)
Uma sequência polimórfica repetida é classificada segundo o seu comprimento:
VNTR (Variable Number Tandem Repeats), ou minissatélites: repetições de sequências de pelo menos 10 nucleótidos.
STR (Short Tandem Repeat), ou microssatélites: repetições de sequências curtas, de menos de 10 nucleótidos.
Os STR estabeleceram-se na análise genética por várias razões:
são muito numerosos (aproximadamente 50.000 sequências STR no ADN humano),
podem ser analisados em multiplex (vários marcadores ao mesmo tempo).
No entanto, consoante os marcadores, podem por vezes apresentar polimorfismo mais limitado.
Como é realizada a análise de ADN no laboratório?
O objetivo do laboratório é obter um perfil utilizável, depois comparar marcadores genéticos para estabelecer uma impressão digital genética.
1) Extração e purificação do ADN
O primeiro passo consiste em extrair e purificar o ADN.
A ideia é separar o ADN de outras substâncias que poderiam dificultar a análise. Para isso, a amostra é colocada num meio que elimina elementos externos para preservar apenas a molécula de ADN.
Consoante o tipo de análise, sequências (frequentemente STR) podem ser selecionadas e cortadas com enzimas de restrição.
As enzimas de restrição são proteínas (frequentemente de origem bacteriana) capazes de cortar o ADN em sequências específicas. São amplamente utilizadas em engenharia genética e em laboratórios.

2) Amplificação por PCR (Polymerase Chain Reaction)
O segundo passo é a amplificação por PCR. Esta técnica permite, a partir de uma amostra escassa, a cópia rápida de sequências de ADN visadas num grande número de cópias.
Isto é possível graças a uma enzima: a ADN polimerase, que reconstrói o ADN a partir de uma hélice previamente separada.
A mistura de PCR compreende geralmente:
amostra de ADN (sequência alvo),
nucleótidos adicionais,
primers (pequenas cadeias complementares à sequência a copiar),
ADN polimerase.
A mistura é submetida a ciclos de temperatura:
desnaturação (aproximadamente 90°C): separação das duas cadeias,
hibridização (aproximadamente 45°C): fixação dos primers,
elongação (aproximadamente 72°C): reconstrução da cadeia em falta.
A cada ciclo, o número de cópias duplica. Em 30 a 40 ciclos, obtêm-se milhões de cópias da sequência alvo.

3) Eletroforese: separação de fragmentos e leitura do perfil
O terceiro passo é a eletroforese, que permite separar fragmentos segundo o seu tamanho sob o efeito de um campo elétrico.
Sendo o ADN negativamente carregado, os fragmentos migram em direção ao polo positivo.
quanto menor for um fragmento, mais rapidamente e longe migra,
fragmentos do mesmo tamanho formam bandas identificáveis.
Graças a esta leitura, o laboratório pode determinar a composição do fragmento: o número de nucleótidos e o número de repetições.
O conjunto dos resultados forma a impressão digital genética de uma pessoa, que pode depois ser comparada para determinar uma ligação de filiação.
Com exceção dos gémeos verdadeiros, a probabilidade de que duas pessoas tenham a mesma impressão digital genética é extremamente baixa (aproximadamente 1 em 3 mil milhões).

Análise do ADN mitocondrial (ADNmt): um teste não padrão
O teste de ADN mitocondrial (ADNmt) é uma análise genética que não se baseia no ADN nuclear (aquele contido no núcleo), mas no ADN presente nas mitocôndrias.
Mitocôndrias: para que servem?
As mitocôndrias são estruturas especializadas (organelos) que produzem energia para a célula.
Considera-se que têm origem em antigas bactérias que entraram em simbiose com uma célula há vários milhões de anos.
Porque o ADNmt é particular?
O ADN mitocondrial:
é circular,
está presente em cópias muito numerosas (várias centenas de mitocôndrias por célula, com várias cópias de ADN cada),
pode ser isolado de amostras antigas ou degradadas, onde o ADN nuclear não é detetável.
Transmissão materna do ADNmt
O ADN mitocondrial transmite-se pela linhagem materna: durante a fecundação, o óvulo fornece as mitocôndrias.
Assim, os membros de uma fratria partilham geralmente o mesmo ADN mitocondrial transmitido pela mãe, ela própria tendo-o herdado da sua mãe, e assim por diante pela linhagem materna.
O ADNmt nem sempre identifica um indivíduo a 100% (várias pessoas podem partilhar ADNmt idêntico), mas pode ser útil para:
verificar uma ligação de parentesco,
explorar certas origens,
analisar amostras degradadas.
Mutações aparecem por vezes ao longo das gerações. A sua acumulação explica porque
linhagens maternas distintas apresentam eventualmente ADNmt diferentes.
Qual é a fiabilidade de um teste de ADN?
A fiabilidade de um teste de ADN depende de vários fatores.
1) Acreditação do laboratório
Verificar a acreditação do laboratório assegura os métodos de análise utilizados e a seriedade do controlo de qualidade.
A acreditação corresponde a uma norma internacional que o laboratório pode obter após verificação do processo por um organismo externo.
Pode também ser importante se procura um nível de reconhecimento legal consoante o contexto.
2) Declaração da sua situação
Antes de encomendar, descreva claramente a situação familiar, dúvidas e possíveis relações entre participantes.
O resultado depende também da boa compreensão do contexto, pois a interpretação baseia-se em cálculos de probabilidade.
3) Tipo de teste
Nem todos os testes de ADN são iguais consoante a situação.
Regra geral, é aconselhável realizar o teste com a pessoa diretamente em causa, pois isto aumenta a pertinência e fiabilidade da comparação.
4) Tipo de amostra
A fiabilidade não depende apenas do tipo de amostra, mas nem todas as amostras fornecem sempre informação genética suficiente de forma fiável.
Uma amostra bem recolhida e conservada facilita muito a análise.
