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Envio de amostras de ADN pelo correio em Portugal: regras e embalagem

  • 22 de mar. de 2025
  • 7 min de leitura

O envio de amostras de ADN para um laboratório pode parecer simples, sobretudo quando a recolha é feita em casa. No entanto, as condições de transporte não são iguais para todas as amostras. Uma zaragatoa bucal seca não é tratada da mesma forma que um tubo com sangue líquido, e uma classificação incorreta pode provocar atrasos, devoluções ou a recusa da encomenda.


Envio de amostras de ADN

Em Portugal, o procedimento depende da natureza da amostra, do risco biológico, do meio de transporte e das regras da transportadora. Antes de enviar qualquer material, deve seguir as instruções do laboratório e confirmar se o serviço postal ou expresso aceita esse tipo de conteúdo.


Como enviar amostras de ADN recolhidas em casa?


A maioria dos testes de filiação utiliza células recolhidas no interior da boca com uma zaragatoa. É o método habitualmente usado num teste de ADN de paternidade, porque a recolha é indolor, não requer agulhas e pode ser realizada em casa.


Depois de recolhida, a zaragatoa deve ser corretamente identificada, deixada secar quando o protocolo assim o determinar e colocada na embalagem indicada pelo laboratório.


Envio de zaragatoas bucais e amostras de saliva


As zaragatoas bucais secas são geralmente mais simples de transportar do que amostras líquidas. Contudo, isto não significa que possam ser sempre colocadas num envelope e declaradas como um documento comum.


O procedimento correto depende do kit, do suporte utilizado e das condições impostas pela transportadora. Em regra, deve:

  • deixar a zaragatoa secar completamente, quando indicado;

  • evitar tocar na extremidade que contém a amostra;

  • colocar cada participante num envelope individual;

  • identificar claramente cada amostra;

  • evitar sacos de plástico fechados quando a zaragatoa ainda está húmida;

  • utilizar a embalagem de devolução fornecida ou recomendada pelo laboratório.


O guia sobre amostras de ADN explica com maior detalhe como recolher, secar e conservar zaragatoas bucais e outros suportes biológicos.


Mesmo quando a amostra não é considerada uma mercadoria perigosa, a transportadora pode aplicar regras próprias. Por esse motivo, não se deve ocultar ou declarar incorretamente o conteúdo da expedição.


Envio de amostras de sangue


O sangue líquido exige cuidados consideravelmente superiores. O tubo pode partir-se, abrir-se ou perder conteúdo devido a impactos, alterações de pressão ou variações de temperatura.


Além disso, uma amostra de sangue pode ser classificada de formas diferentes:

  • amostra humana isenta;

  • substância biológica de categoria B, UN 3373;

  • em situações muito específicas, substância infeciosa de categoria A.


A classificação não depende apenas do facto de o recipiente conter sangue. Depende sobretudo da probabilidade de estarem presentes agentes patogénicos e da finalidade da análise.


Para um teste genético sem suspeita de doença infeciosa, a amostra pode eventualmente ser considerada uma amostra humana isenta. Essa decisão deve, porém, resultar de uma avaliação profissional, normalmente efetuada pelo laboratório, pelo profissional de saúde ou pelo expedidor qualificado.


Amostra humana isenta ou UN 3373: qual é a diferença?


A distinção entre estas duas classificações é essencial para preparar corretamente a embalagem e escolher a transportadora.


Amostra humana isenta


Uma amostra pode ser considerada isenta quando existe uma probabilidade mínima de conter agentes patogénicos.


É o caso de determinadas amostras recolhidas para análises não relacionadas com doenças infeciosas, desde que a avaliação clínica e as circunstâncias da recolha não indiquem um risco específico.


Segundo o Regulamento de Mercadorias Perigosas da IATA, estas amostras devem ser acondicionadas de forma a impedir qualquer fuga. No transporte aéreo internacional, a embalagem exterior deve apresentar a indicação:


Exempt human specimen

Para amostras animais, a indicação correspondente é:


Exempt animal specimen

Embora sejam chamadas “isentas”, estas amostras continuam a exigir uma embalagem adequada. A isenção diz respeito à classificação como mercadoria perigosa, não à necessidade de acondicionamento seguro.


Substância biológica de categoria B — UN 3373


A designação UN 3373 aplica-se a uma substância infeciosa que não cumpre os critérios mais graves da categoria A.


Neste caso, a embalagem exterior deve apresentar:

  • o losango regulamentar com a inscrição UN 3373;

  • a designação Biological Substance, Category B;

  • os dados do remetente e do destinatário;

  • os restantes elementos exigidos pelo operador e pelo modo de transporte.


A embalagem deve cumprir a instrução P650 para transporte terrestre ou a instrução de embalagem 650 da IATA para transporte aéreo.

Uma amostra de sangue não deve ser marcada como UN 3373 apenas por precaução. A marcação deve corresponder à classificação real do conteúdo.


Como embalar uma amostra clínica líquida?


Uma amostra líquida deve ser acondicionada através de um sistema de embalagem tripla.


1. Recipiente primário estanque

O tubo que contém a amostra deve estar hermeticamente fechado e não apresentar fissuras, danos ou vestígios de líquido no exterior.

Não devem ser utilizados tubos improvisados ou recipientes domésticos.


2. Embalagem secundária estanque

O recipiente primário deve ser colocado dentro de uma segunda embalagem resistente a fugas.

Quando são enviados vários tubos frágeis, estes devem ser embalados individualmente ou separados por material de proteção, de modo a impedir choques entre si.


3. Embalagem exterior resistente

A embalagem secundária deve ser colocada dentro de uma caixa exterior suficientemente rígida para resistir às condições normais de transporte.


A caixa deve proteger o conteúdo contra:

  • impactos e vibrações;

  • compressão;

  • humidade;

  • alterações de temperatura;

  • variações de pressão;

  • perfuração ou abertura acidental.


A embalagem fornecida pelo laboratório deve ser utilizada sempre que esteja disponível. Não é aconselhável substituir uma embalagem regulamentada por uma caixa ou envelope comum.


Material absorvente


Nas amostras líquidas, deve ser colocado material absorvente entre o recipiente primário e a embalagem secundária.


A quantidade deve ser suficiente para absorver todo o líquido transportado em caso de fuga. Podem ser utilizados, consoante as instruções do laboratório:

  • algodão;

  • celulose;

  • toalhas de papel absorvente;

  • compressas;

  • saquetas superabsorventes.


O material absorvente não substitui um recipiente estanque. Funciona apenas como proteção adicional em caso de derrame.


As amostras de ADN são mercadorias perigosas?


O ADN, enquanto molécula, não é por si só uma mercadoria perigosa. O risco está associado ao material biológico que o contém e às substâncias utilizadas para a sua conservação.


Uma zaragatoa bucal seca, uma amostra humana isenta e uma amostra UN 3373 não têm o mesmo enquadramento.


Também é necessário verificar se o kit contém:

  • álcool;

  • conservantes químicos;

  • formalina;

  • gelo seco;

  • azoto líquido;

  • outros reagentes classificados.


Estes produtos podem ter uma classificação própria, independente da amostra biológica.


Quais são as nove classes de mercadorias perigosas?


As normas internacionais dividem as mercadorias perigosas em nove classes principais:

  1. Explosivos

  2. Gases

  3. Líquidos inflamáveis

  4. Sólidos inflamáveis e substâncias reativas

  5. Substâncias comburentes e peróxidos orgânicos

  6. Substâncias tóxicas e infeciosas

  7. Materiais radioativos

  8. Substâncias corrosivas

  9. Mercadorias perigosas diversas


As substâncias infeciosas pertencem à divisão 6.2 da classe 6. Contudo, nem todas as amostras humanas ou animais são automaticamente incluídas nesta divisão.

A classificação deve basear-se no risco real e não apenas no tipo de fluido transportado.


É obrigatório utilizar DHL, FedEx ou outra transportadora especializada?


Não existe uma única transportadora obrigatória para todos os envios. Empresas como DHL, FedEx, UPS ou operadores postais podem aplicar condições diferentes consoante:

  • o país de origem;

  • o destino;

  • a classificação da amostra;

  • o transporte terrestre ou aéreo;

  • o tipo de serviço contratado;

  • a existência de uma conta profissional autorizada.


Algumas transportadoras só aceitam amostras biológicas através de contratos empresariais ou de contas previamente aprovadas. Outras não aceitam determinados materiais em algumas rotas.


Em Portugal, os CTT também aplicam restrições a mercadorias classificadas como perigosas e remetem para as regras ADR, OACI e IATA. A aceitação deve ser confirmada antes de entregar a embalagem.


Não se deve presumir que uma transportadora aceita uma amostra apenas porque disponibiliza serviços internacionais.


Como confirmar a classificação antes do envio?


A classificação deve ser confirmada com o laboratório e com a transportadora.

Antes de expedir, deve comunicar:

  • o tipo de amostra;

  • se está em estado líquido ou seco;

  • o volume;

  • o recipiente utilizado;

  • a finalidade da análise;

  • a existência de conservantes ou refrigerantes;

  • o país de destino.


Uma ficha de dados de segurança, também conhecida como FDS, pode ser necessária quando o kit contém reagentes químicos, conservantes ou outras substâncias regulamentadas.


Contudo, uma amostra biológica nem sempre dispõe de uma FDS. A ausência desse documento não demonstra que o envio esteja automaticamente isento.

Quando existe um número ONU, como UN 3373, devem ser respeitadas a embalagem, a marcação e a documentação correspondentes.


Documentação para envios internacionais


A documentação depende do destino e não apenas da distância percorrida.


Envios dentro da União Europeia


Em regra, as mercadorias circulam entre países da União Europeia sem uma declaração aduaneira de importação ou exportação.


Isto não elimina:

  • as regras de transporte de amostras biológicas;

  • as restrições da transportadora;

  • os requisitos do laboratório;

  • eventuais controlos de segurança.


Envios para fora da União Europeia


Quando a amostra sai do território aduaneiro da União Europeia, a transportadora pode solicitar:

  • declaração de conteúdo;

  • fatura proforma ou commercial invoice;

  • valor aduaneiro, mesmo quando a amostra não tem valor comercial;

  • descrição da finalidade da expedição;

  • país de origem;

  • dados do remetente e do laboratório;

  • autorizações ou formulários exigidos pelo país de destino.


Podem ser necessárias várias cópias dos documentos, consoante a transportadora e o percurso.


Quem realiza um teste de ADN à distância deve confirmar estas exigências antes da recolha, sobretudo quando os participantes vivem fora da União Europeia.


Checklist antes de enviar uma amostra de ADN


Antes de entregar a expedição, confirme:

  • O laboratório aceita o tipo de amostra enviado.

  • A amostra está corretamente identificada.

  • O recipiente primário está fechado e não apresenta fugas.

  • Foi utilizada uma embalagem secundária adequada.

  • Existe material absorvente suficiente para líquidos.

  • A caixa exterior é rígida e resistente.

  • A classificação foi confirmada pelo laboratório.

  • A marcação exterior corresponde ao conteúdo.

  • A transportadora aceita a amostra e a rota escolhida.

  • A documentação aduaneira está completa, quando necessária.

  • O endereço e a referência do laboratório estão corretos.


Conclusão


O envio de amostras de ADN pelo correio exige cuidados diferentes consoante se trate de uma zaragatoa bucal seca, sangue líquido, uma amostra humana isenta ou uma substância biológica UN 3373.


As recolhas bucais são normalmente mais simples, mas devem continuar a ser secas, identificadas e acondicionadas de acordo com as instruções recebidas. As amostras líquidas requerem uma embalagem tripla, proteção contra fugas e uma classificação profissional.


Antes da expedição, confirme sempre as regras do laboratório, da transportadora e do país de destino. Uma preparação correta protege a amostra, evita incidentes durante o transporte e reduz o risco de atrasos ou devoluções.


Uma amostra de saliva pode ser enviada num envelope normal?

Uma zaragatoa bucal completamente seca pode, em determinados casos, ser enviada num envelope de papel protegido. No entanto, deve utilizar o acondicionamento indicado pelo laboratório e confirmar a aceitação junto da transportadora.


Uma amostra de sangue é sempre UN 3373?

Não. A classificação depende da probabilidade de conter agentes patogénicos. Algumas amostras podem ser consideradas amostras humanas isentas, enquanto outras devem ser classificadas como UN 3373.


Posso preparar pessoalmente uma embalagem UN 3373?

A embalagem deve cumprir requisitos técnicos específicos. O método mais seguro é utilizar um conjunto de embalagem certificado ou fornecido pelo laboratório, acompanhado de instruções claras.

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